Lembro-me uma vez que escrevi uma matéria sobre Junji Ito, mangaká famoso, mestre do Horror. Esses dias fui reler Uzumaki, uma das obras mais famosas de Ito, e pensei: Por que não mostrar essa matéria para o público de novo? Então, se você não conhece Junji Ito, ou sabe pouco sobre ele, presencie: O mito!

 

Nascido na província de Gifu-ken, em 31 de julho de 1963, Junji começou a se interessar pela área dos quadrinhos ainda no primário, admirando-se com as obras do grande mestre Kazuo Umezu (Besseka, Orochi), para mais tarde, ganhar o prêmio com o nome do mesmo.

Antes de iniciar sua carreira oficial como desenhista, Junji Ito escrevia historias apenas como um hobby , trabalhando como técnico de próteses dentarias. No ano seguinte ao que ganhou o “Prêmio Kazuo Umezu”, concorreu novamente, com sua obra “Tomie”, segundo mangá que levaria Junji ao sucesso, e ao conquistar o premio, conseguiu que seu mangá fosse serializado, na revista Gekkan Halloween.

Junji Ito, vulgo, Mito.

Além de ter Kazuo Umezu como grande meio de admiração, Junji já era amante de autores como Hideshi Hino, Yasutaka Tsutsui (autor de Paprika, que deu origem ao filme), e ainda, o escritor americano HP Lovecraft, que serviu de grande inspiração ao que se tornaria um dos grandes mestres na indústria de entretenimento gore/horror nipônico.

Junji Ito teve a chance perfeita para elevar seu nível de carreira, já que na década de 90, houve um estouro de obras que envolviam terror e horror, e optando por abandonar a profissão de técnico dentário, seguiu em frente como mangaká, a todo vapor.
E agora, eis que volto novamente com “Uzumaki”, a grande obra que o fez subir nas “espirais” (perdoem a ironia – para quem já leu o mangá, vai entender) do império de gênero terror/horror. Posteriormente a essa obra, Junji foi um sucesso. E acabou lançando em seguida “Gyo” , e ainda, uma adaptação para “Frankenstein” .

Nessa mesma época, a parte cinematográfica também estava em seu ápice no que se diz respeito ao gênero de Terror no qual Junji aplicava em seus mangás, para um lado mais “gore”. Com o lançamento de “Ringu”(O chamado), e outros terrores orientais, algumas obras do mangaká acabaram por conseguir adaptação para o cinema, como o live action de Uzumaki, que como dito, fez muito sucesso.

Primeiramente, a arte de Junji,  é assustadora e adoravelmente bem feita. Os traços, os tons, as cores e a maneira como essas características se envolvem em cada situação encontrada no momento de cada capitulo, auxilia na total atenção do leitor á obra.

Apesar de, em alguns momentos, os desenhos causarem repulsa ou aversão, principalmente para quem não está acostumado com este tipo de coisa, o autor consegue fazer com que o leitor siga adiante, instigando-o a querer saber qual será o desfecho da obra.

Devo destacar também a incrível capacidade de Junji em conseguir criar grandes histórias, com simples temas. Desde ‘insignificantes’ espirais, até planetas desconhecidos no Universo. E , por falar em espirais, que tal falarmos mais um pouco sobre Uzumaki, já que comecei citando a obra? Afinal, como já foi dito, foi o divisor de águas de Junji na década de 90!

Basicamente, Uzumaki se trata de acontecimentos muito estranhos na pacata cidade chamada Kurouzu, onde seus habitantes começam a se sentir, estranhamente, extremamente atraídos por espirais.

No desenvolver da história, esta simples forma geométrica, vai dominando cada vez mais a cidade. A protagonista, Kirie Goshima, depois de presenciar o pai de seu namorado em um lento processo de obsessão compulsiva pelas espirais, que leva ao fim de sua vida.

Ela passa a observar tal comportamento em várias pessoas, e no desenvolver na obra, ele  se veem no completo caos. O que acontece depois…Bem, Junji nos prepara uma surpresa ao fim da obra.

O Gore de Junji mistura um pouco do inusitado ao psicodélico, passando a impressão de um mundo completa e apaixonadamente caótico.

Finalizando, deixo aqui o nome de algumas obras mais conhecidas do autor: Tomie, Gyo, Uzumaki, Black Paradox, Itou Junji No Neko Nikki: Yon & Mu (essa é uma obra de Junji que afasta um pouco de seu estilo horror-gore, uma obra mais suave e cômica), Shibito no Koiwazurai…entre outras, para quem se interessar, é bom dar uma pesquisada. Os mangás dele são meio raros de se encontrar em português, mas ainda sim, você pode dar a sorte em alguma scan.

Este foi um pequeno parágrafo de toda uma vida de pura arte levada em seus mangás, vale a pena conferir o trabalho e as peripécias de Junji Ito, O Mito.

Obs: Ele não é popularmente conhecido como “O Mito”, mas adotei esse adjetivo devido a…bem, se você não conhece suas obras, dá uma conferida, e vai concordar comigo!

 

About The Author

Kumo

Escritora pseudo-entendida, sonhadora e futura mochileira intergalática, amante da filosofia e da arte. Interesso-me por explorar cada vez mais a diversidade nipônica, seja na área cultural tradicional ou contemporânea!

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  • Emanuelle Góes Lamongi

    Essa última imagem é de qual mangá dele?